Quando abrir os olhos nos trazia expectativas,

E ao fechar, os mesmos olhos, o coração não se enchia de melancolia,

Enquanto erámos felizes,

Vestidos de esperança e alimentados pelas promessas de prosperidade,

Que não sabíamos, mas eram como carboidrato,

Tinha fácil digestão, não saciava plenamente e depois se tornaria excremento,

Há quem conseguiu fazer disso esterco,

E de certa forma adubou a vida,

Mas a maioria despejou dejetos e fomos uns soterrando os outros com nossas frustrações e amarguras,

Os corações pesados e vilanizados foram nos jogando para baixo,

Até que ficamos de joelhos,

Cansados em um labirinto de espelhos,

Onde nem ao menos havia um Minotauro para nos estraçalhar,

Apenas caminhos repetidos,

Reflexos para nos perder como Narciso,

Perambulando sem destino,

Perplexos em nossa autoimagem,

Divagando sobre coragem, foco e meritocracia,

Perdidos em projetos por nós não projetados,

Caminhando guiados pelo mercado, o capital e o cansaço,

Matando a sede em piscinas de lágrimas,

Onde, por vezes, também nos afogávamos,

Não havia saída,

Não havia nada!

O lance é que nunca deveríamos atravessar aquela porta,

De todos os brinquedos deste parque,

Deveríamos evitar o labirinto, a casa de espelhos,

Ou qualquer brinquedo de perdição,

Que nos promete diversão em caminhos curtos,

Então,

Nos restaria apenas nos perder em nossa imaginação,

E isso por si só nos seria trabalhoso,

Mas quem sabe ao menos prazeroso,

Por agora, quero apenas fechar meus olhos,

Já me bastam os espelhos.

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Felipe Hudson